Sobre Nazistas, Fascistas e Progressistas

Caríssimos,

Deitado, folheando o jornal e inocentemente chacoalhando meu bilau (onde li isso?), deparei-me, angustiado, novamente, com o único dilema relevante nesses tempos absurdos!

Repentinamente, abalroou-me impactante notícia vinda da América (do Norte, por óbvio, já que as outras duas Américas evanesceram em suas irrelevâncias), local onde, segundo confiáveis fontes das esquerdas progressistas, o próprio Belzebu encarnado foi eleito Presidente da República para governar, por intermináveis quatro anos, aquela outrora (apud Luige Del Silba*) pujante democracia!

Afirmam os progressistas, possessos, que Belzebu, com sua empáfia e arrogância, logo ao tomar posse, ousou expulsar, arbitrariamente, de suas ricas paragens, alguns milhares de cidadãos de outros países (das outras duas Américas, evidentemente) por pura vaidade, maldade e também, comentam, pelo fútil motivo de encontrarem-se em situação não totalmente lícita. Imigrantes ditos ilegais que, após árdua e heróica travessia pelo aprazível deserto mexicano, guiados por microempreendedores do rentável negócio de tráfico humano pela fronteira, os chamados “coiotes”, lograram chegar à América com o justo intuito de melhorar de vida, apesar de oriundos de opulentas e fulgurantes democracias populares como Nicarágua, Venezuela, Bolívia e Cuba, entre outras. Tachando os imperialistas, aqueles pobres desvalidos – povos famélicos excluídos dos “pantagruélicos banquetes” do capitalismo selvagem, pelos torpes rentistas do Consenso de Washington, devastadores da solidariedade, equidade e fraternidade entre os povos – de criminosos e foras da lei apenas pelo justo motivo de terem invadido o território americano, ao fugirem amedrontados de suas mazelas! Infringiram leis fascistas e notoriamente nazistas daquele famigerado país imperialista, esclarecem, ainda, nossos progressistas.

Indignaram-se as esquerdas, na posse de Asmodeus travestido de Presidente da República, sobretudo com Mr. Musk e seu gestual, ao término de seu aclamado discurso, saudando o público presente que, segundo estridentes vozes das esquerdas progressistas, era o mesmo gestual histriônico e tresloucado do notório (broxa e “acanhado”, como atestam, à boca pequena, inúmeros historiadores, afirmando convictos, ligeiramente céticos, contudo, que o pingolim do maluco “além da consistência de chucrute cozido, era de proporções liliputianas”, se os amigos me entendem) Adolf em seus tempos sombrios na Alemanha d’antanho !

Mr. Musk (um famigerado nazista, acusam) teria saudado o público, gestualmente, com um infame “SIEG HEIL”, e, suprema desdita, saudado reciprocamente pela irascível turba nazista ali presente! Uma ignomínia, denunciam!

Inocentemente manipulando minha avantajada estrovenga, enquanto contemplava a fatídica cena (cena essa reprisada inúmeras vezes, em slow & fast motion, frame by frame, em várias mídias, comentada e dissecada, em tempo real e irreal, por preclaros jornalistas progressistas e aguerridos identitários que infestam nossa “bufunfeira” imprensa militante), não me surpreendi com o veredicto daqueles argutos juízes midiáticos: NAZISTA, vociferaram coléricos!

Quedei-me preocupado, confesso.

Corro risco iminente de ser cancelado, processado e encarcerado pelos Supremos, acusado de apologia ao nazismo se, em meu próximo jantar, em algum requintado restaurante da moda, frequentado pela fina flor de nossas esquerdas identitárias e de nossa “intelligentsia” progressista, para chamar o garçom, eu, inadvertidamente, levantar o braço da maneira “errada”?

Cazzo, que dilema! Ao eventual leitor, leitora ou leitore pergunto: resignação ou suicídio? Foda-se! Melhor jantar em casa mesmo…

 

 

 

*Luige del Silba: hipotético patriarca (em seu outono), imperador do Burril, hipotético país, de hipotético continente situado, hipoteticamente, ao sul de uma hipotética América Central.